quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Matéria no Estadão

Fiquei muito feliz com uma matéria de um jardim que eu fiz e que saiu esse domingo na revista Casa, no jornal Estadão. Compartilho com quem não viu! Eu ja tinha publicado esse projeto aqui no blog, é só descer um pouco que tem mais detalhes e fotos.



sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Almoço na Mata Atlântica

Dia desses tive o prazer e o privilégio de ser convidado para um almoço no meio da mata. Um lugar incrível, na maior mancha contínua da Mata Atlântica ainda preservada que sai mar e vem parar aqui perto de São Paulo. Um lugar que está sendo cuidado por pessoas que entendem profundamente do assunto com muito amor e muito respeito pela natureza.

Aproveitem o passeio!

Passeando por ali a bióloga Cristina Simonetti foi me contando um pouco da história dali. Já foi um lugar bem machucado por décadas e décadas de ocupação predadora, que praticamente dizimou a mata primária. Essa área foi usada na época da 2° guerra, e ainda ali tem os buracos no chão onde faziam carvão.


Árvore crescendo no teto do forno.
Flexibilidade e adaptabilidade.
Lição para a vida!

Já teve uma grande plantação de eucalipto, árvore que foi importada da Austrália e desestabiliza todo o ecossistema local. Mas o poder de regeneração da natureza é espantosa. Em 16 anos de cuidado inteligente e consciente de pessoas que sabem o que estão fazendo, a mata está enriquecendo novamente, a fauna está retornando e é um lugar belo. É emocionante!



Espelho d'água

Outro espelho d'água

Da mata primária que restou ali, dá para ver grandes Jequitibás, Jatobás, Copaíbas e Canelas se destacando da grande mata secundária se regenerando. Não consegui tirar fotos dos esquilos, macacos, tucanos e outros animais que vivem ali, não é assim tão fácil dar de cara com eles, mas vi algumas cenas deliciosas.

Visitando o açude!

Lagartas cor de rubi.
Ou romãs.

Um beija-flor posando para a foto?

Ovos de sapo, parece um tecido!

É uma delícia  ver plantas conhecidas da gente no seu habitat natural. A vida acontecendo, pela ação dos dias, a chuva, o sol, o vento, a lua, as estações, os pássaros, os animais todos. As sementes sendo espalhadas e a vida que acontece naquele cantinho específico da mata, ou naquela partezinha do tronco da árvore,  porque encontrou alí proteção, aconchego e alimento. Carinho da grande mãe. Lar.


Marantas em flor

Bromélia


Mais bromélias


Helicônia
A flor não parece que dança?

Esses 16 anos, estão devolvendo várias espécies nativas: Palmito, Jequitibá Rosa, Angico, Suinã, Paineira e tantas outras. Não que a gente não deva cultivar espécies exóticas, desde que ela goste da realidade do nosso clima é claro. Mas porque não darmos valor às plantas nativas da região que vivemos, que a natureza levou milhões de anos para cultivar, para lapidar cuidadosamente? Esse lugar é a prova que com cuidado, atenção e informação a natureza se refaz rapidamente.


Samambaias, líquens e bromélias
 Fica lindo né?

Jibóias

O caminho pela mata leva à um açude que foi construído ali. Um jardim lindo, com as plantas da mata e muito bom gosto. Simplicidade que é um elogio à natureza.

Que destaque lindo do tronco branco





Eu não digo que projetando um jardim nós tenhamos que imitar a natureza. A criatividade é ilimitada e podemos encontrar a beleza num traço verde, numa curva, lançar mão de uma licença poética verde, azul, variegata. Suavizar ou endurecer a paisagem numa conversa fina com a arquitetura. Mas temos que colocar uma mochila nas costas e buscar inspiração e sabedoria na mata, na natureza crua e perceber as necessidades da vida que vive ali. Se inspirar. Aí a criatividade tem chão para andar livremente!

Valeu Cris...
grande aula!

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Poder Transformador do Verde V

Eu gosto de jardins tropicais. É o clima da nossa região e temos uma infinidade de espécies lindas da mata atlântica. Mas quando eu sentei para conversar com essa cliente, a primeira coisa que ela me falou é que ela adora os jardins românticos provençais. E ele já estava insinuado nos móveis, nos vasos, nas estamparias da decoração da casa. Pedi licença à Mata Atlântica e fui estudar!


O jardim partiu de duas informações: a lavanderia da casa é atrás do jardim e o caminho para lá não poderia ser mudado, e eu teria que usar e abusar dos buchinhos em formato de bola. A casa toda estava em reforma e a área do jardim estava bem vazia, tinha um bambuzal crescendo, uma Lichia, alguns vasos de buchinho, uma laranjeira, uma Glicínia e na frente da casa dois vasos com Kaesukas.



Olha onde eu achei o Herbarium

Um ano após a implantação, engatinhando ainda

É um terreno quadrado e com muros altos. Para amenizar isso eu criei movimentos grandes de plantas que saem dos muros. Criei um espaço para um banco no fundo do jardim e espalhei frutíferas em vários pontos do terreno, mais um herbarium, para forçar o passeio. O jardim ainda é muito jovem e  não apareceram as Falsas Vinhas que vão cobrir todo o muro, deixando tudo macio e criando mais uma camada verde no jardim.





E eu adoro quando chego no jardim e os moradores deram o toque pessoal. Significa que o jardim foi aceito, faz parte da vida da casa.





Eu adoro jardins que além de bonitos, também sejam generosos. Esse tem frutas (lichia, jabuticaba, laranja, limão siciliano e um herbarium que eu fiz com uma caixa de madeira grande que estava encostada num canto do terreno. Forrei internamente com plástico para não apodrecer a madeira, enchi de terra e agora tem alecrim, manjericão, tomilho, pimenta e várias outras ervas que é usada na cozinha. A mancha de Agapanto Azul pode ser usado como flor de corte na primavera.

Herbarium

Fazer um jardim é sempre um aprendizado, sempre tem uma questão para ser resolvida. Esse me ensinou a mergulhar numa estética que eu nunca tinha projetado, mas ele só aconteceu quando eu  usei a exuberância tropical que eu adoro com as espécies de um jardim clássico, o desejo da minha cliente, voltei para a sala de aula, relaxei e deixei acontecer.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Música que Brota

Sensibilidade é algo que não se compra na lojinha da esquina, é algo que acontece com todo mundo em algum lugar das nossas vidas. Quando damos ouvidos, olhos, pele, coração...ela cresce, apura, afina. Quanto mais o tempo passa fica mais claro para mim que tudo são dobras de um mesmo tecido, feito um Origami. Como ator eu digo que o melhor curso que eu fiz de interpretação foi paisagismo, e o paisagista por outro lado foi sendo formado nos palcos. Diferentes formas  de transformar o mundo imaginário em concreto. Um usa palavras, corpo e emoção, ou outro lápis, papel e plantas. Mas oque me faz pensar hoje em sensibilidade, é um presente que eu ganhei de uma amiga de lonnnnga data! Um jardim feito de notas musicais, muito bom gosto e muita vida. Um set lindo da DJ K_ri para o Passe_ar! Valeu Ká!!!
Compartilho com vocês...



http://soundcloud.com/karinepodcast/passe_ar

domingo, 31 de outubro de 2010

Subindo Pelas Paredes

Você tem uma varandinha que parece que mal vai caber um vaso, um corredor, ou aquela janela que dá pra um muro sem graça que endurece o lugar todo? Deu nervoso? Suba pelas paredes...literalmente!


Esse apartamento num predinho de 3 andares no coração dos Jardins em São Paulo, tem o charme de fazer você se sentir em uma casa, e uma varanda deliciosa na sala, virada para dentro do prédio, super aconchegante e silenciosa, perfeita para um cafezinho da tarde! Minha missão: conseguir riqueza de espécies, texturas e flores usando o mínimo de espaço.

Pintar a parede de um marrom bem quente para fazer o fundo da tela, assim começou o jardim.



Depois de instalar a grade que vai sustentar o jardim, começa a montagem. Fazer o projeto antes é fundamental para pensar muito bem nas espécies que vão gostar desse lugar e que juntas vão criar uma identidade. O projeto também diz a quantidade mínima de plantas pra conseguir o resultado que está no papel. Eu sigo o projeto, mas me sinto livre para improvisar na hora da montagem, sem fugir do conceito.




Para criar movimento e não "pesar" nesse lugar  pequeno, eu deixei partes da tela aparecendo. "Eu sou arquiteto, gosto de ver a estrutura das coisas"...essa frase do meu cliente foi decisiva no projeto. Uma das partes que eu mais gosto num projeto é interpretar desejos.
Depois de pronto o jardim que vem ganhando a parede, montei o vaso com a planta que vem do chão. A forração desse vaso é peça fundamental pra "linkar" tudo. O guaimbê vinho me dá a sensação de unir tudo.





O charme das noites
Todo esse projeto partiu da simplicidade na construção, para ser acessível à todos, mas com muita exuberância. Quando se abre a porta da casa, a primeira coisa a ser vista era uma chaminé. Não quis esconder totalmente com uma planta para não diminuir a visão para fora. Criei uma escultura com ferros de construção enferrujados, que eu pedi numa obra mesmo, retorci alguns pedaços de forma a encaixar uma torrezinha de fibra de côco onde eu prendi várias orquídeas Chuva de Ouro. Disfarço a chaminé sem esconder totalmente. Ficou uma peça interessante e leve.


A mesinha também foi feita por mim seguindo o mesmo conceito: simplicidade. Caixa de laranja que achei na rua, verniz em spray e para os pezinhos: grampo de marceneiro que é fácil de achar em casas de construção em qualquer bairro.



Pronto, a varanda virou um bistrô!